Homem segurando o cotovelo com ilustração dos tendões e ponto de dor em destaque, raquete e taco de golfe ao fundo
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Epicondilite: cotovelo de tenista e golfista

Dr. Gláucio Siqueira

Dr. Gláucio Siqueira

Ortopedista · Ombro e Cotovelo

18 de maio de 2026·6 min de leitura

Apesar do nome, a grande maioria das pessoas com epicondilite nunca segurou uma raquete de tênis ou um taco de golfe. O termo “cotovelo de tenista” e “cotovelo de golfista” descreve o padrão de movimento que costuma causar a lesão — não quem ela afeta. Na prática, trabalho manual repetitivo, digitação, uso de mouse e atividades domésticas respondem pela maior parte dos casos que chegam ao consultório.

Duas condições, dois lados do cotovelo

Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)

Afeta os tendões extensores do punho, na região onde se inserem no epicôndilo lateral — a saliência óssea na parte externa do cotovelo. É a causa mais comum de dor no cotovelo em adultos. O músculo mais frequentemente envolvido é o extensor radial curto do carpo.

Epicondilite medial (cotovelo de golfista)

Afeta os tendões flexores e pronadores do antebraço, na parte interna do cotovelo. Menos comum que a forma lateral, exige atenção redobrada porque o nervo ulnar passa próximo à região e pode ser envolvido no quadro.

Nas duas formas, apesar do sufixo “-ite” sugerir inflamação aguda, o que costuma acontecer é uma tendinopatia degenerativa: uma alteração progressiva na estrutura do tendão causada por sobrecarga repetitiva, e não uma inflamação súbita. Essa distinção é relevante porque orienta o tratamento — o foco está em reabilitação e fortalecimento progressivo do tendão, não apenas em reduzir uma inflamação pontual.

Como reconhecer os sintomas

  • Dor na parte externa (lateral) ou interna (medial) do cotovelo, que pode se irradiar para o antebraço
  • Dificuldade ou dor ao segurar objetos, apertar a mão de alguém ou girar uma maçaneta
  • Sensação de fraqueza no braço, especialmente em movimentos de extensão ou flexão do punho contra resistência
  • Dor que piora ao longo do dia com o uso repetitivo da mão e do punho
  • Na forma medial, formigamento ou dormência no quarto e quinto dedos, quando há envolvimento do nervo ulnar

Condição relacionada

Epicondilite Lateral →

Diagnóstico e tratamento do cotovelo de tenista.

Condição relacionada

Epicondilite Medial →

Diagnóstico e tratamento do cotovelo de golfista.

Quando procurar um especialista

A avaliação é indicada quando a dor no cotovelo persiste por mais de duas a quatro semanas, interfere nas atividades do dia a dia ou não melhora com repouso e medidas simples. Dificuldade para segurar objetos, sensação de fraqueza no braço, piora progressiva dos sintomas ou formigamento nos dedos são sinais adicionais que reforçam a necessidade de avaliação. Identificar a condição precocemente permite iniciar o tratamento certo antes que o quadro progrida.

O que esperar do tratamento

A maioria dos casos de epicondilite responde bem ao tratamento conservador: repouso relativo da atividade que desencadeia a dor, fisioterapia direcionada ao fortalecimento excêntrico do tendão, e, em alguns casos, órteses que reduzem a tensão sobre a inserção tendínea durante as atividades do dia a dia. A cirurgia é reservada para os casos que não respondem ao tratamento conservador bem conduzido por um período prolongado — uma minoria dos pacientes.

O ponto mais importante do tratamento costuma ser identificar e ajustar o gesto ou a atividade que sobrecarrega o tendão repetidamente. Sem esse ajuste, mesmo um tratamento bem conduzido tende a resultar em recidiva quando a pessoa retoma a mesma atividade da mesma forma.

A epicondilite é um exemplo claro de como o nome popular de uma condição pode confundir o paciente sobre sua própria causa. Na avaliação, o que importa não é o esporte ou a atividade que “deveria” causar a dor, mas identificar, no caso individual de cada paciente, qual gesto repetitivo está sobrecarregando aquele tendão.

Dr. Gláucio Siqueira

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre cotovelo de tenista e cotovelo de golfista?+
A diferença está na localização da dor e nos tendões afetados. O cotovelo de tenista (epicondilite lateral) afeta os tendões extensores do punho, na parte externa do cotovelo, e é a causa mais comum de dor nessa região. O cotovelo de golfista (epicondilite medial) afeta os tendões flexores e pronadores, na parte interna do cotovelo, e é menos frequente. Apesar dos nomes, as duas condições afetam muito mais pessoas fora desses esportes do que dentro deles.
Preciso jogar tênis ou golfe para ter epicondilite?+
Não. Os nomes são históricos, mas a grande maioria dos casos ocorre em pessoas que nunca praticaram esses esportes. Trabalho manual repetitivo, uso intenso de computador e mouse, atividades domésticas, musculação e até tocar instrumentos musicais podem sobrecarregar os mesmos tendões e causar o mesmo quadro.
Epicondilite é uma inflamação?+
Apesar do nome (o sufixo '-ite' sugere inflamação aguda), na maioria dos casos a epicondilite é uma tendinopatia degenerativa — o resultado de sobrecarga repetitiva que altera a estrutura do tendão ao longo do tempo, e não uma inflamação súbita. Essa distinção importa porque orienta o tipo de tratamento: o foco costuma estar em reabilitação e fortalecimento progressivo, não apenas em reduzir uma inflamação.
Formigamento nos dedos pode ser epicondilite?+
Formigamento não é um sintoma típico da epicondilite lateral, mas pode aparecer na epicondilite medial, onde o nervo ulnar passa próximo à região afetada. Quando há formigamento ou dormência associados à dor no cotovelo, principalmente no quarto e quinto dedos, vale investigar também o envolvimento do nervo ulnar na avaliação.
Quanto tempo demora para a epicondilite melhorar?+
A recuperação da epicondilite costuma levar semanas a poucos meses com tratamento adequado, mas em alguns casos pode se estender por mais tempo. Um estudo de referência encontrou que cerca de 90% das pessoas com epicondilite lateral apresentam recuperação total ou quase total ao fim de um ano. O tratamento precoce, com repouso relativo, fisioterapia e fortalecimento progressivo, tende a encurtar esse tempo.

Especialista em ombro e cotovelo

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