Equipe do Dr. Gláucio Siqueira durante cirurgia artroscópica de ombro em centro cirúrgico
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Reparo artroscópico do manguito rotador: como funciona a cirurgia minimamente invasiva

Dr. Gláucio Siqueira

Dr. Gláucio Siqueira

Ortopedista · Ombro e Cotovelo

27 de agosto de 2026·6 min de leitura

O reparo artroscópico do manguito rotador é hoje a técnica cirúrgica mais utilizada para tratar lesões dos tendões do ombro que não respondem ao tratamento conservador. Feito inteiramente por vídeo, através de pequenas incisões, o procedimento reinsere o tendão lesionado ao osso do úmero com o mínimo de trauma possível para a pele, os músculos e as estruturas ao redor da articulação.

A técnica aberta, também realizada de forma minimamente invasiva, continua sendo utilizada e com bons resultados quando bem indicada. A diferença está na via de acesso: enquanto a cirurgia aberta exige uma incisão maior para visualização direta do tendão, a artroscopia é feita por vídeo, com imagem ampliada e instrumental de maior precisão e alcance.

O que é o reparo artroscópico do manguito rotador

O manguito rotador é formado por quatro tendões (supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor) que envolvem a cabeça do úmero e são responsáveis pela estabilidade do ombro, necessária para todos os movimentos da articulação. O manguito rotador “degenera” com o tempo e, em até metade das pessoas, ocorre algum grau de lesão até o final da vida. Quando essa lesão provoca dor e fraqueza, pode ser necessária cirurgia.

O reparo artroscópico consiste em reinserir o tendão rompido de volta ao seu local de origem no osso, fixando-o com âncoras de sutura — pequenos implantes que ficam presos ao osso e seguram os fios que costuram o tendão no lugar.

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Reparo de lesão do manguito rotador por artroscopia — vídeo do Dr. Gláucio Siqueira no Instagram.

Como funciona a técnica cirúrgica

O procedimento é sempre feito sob anestesia geral, que pode ser associada a um bloqueio regional para reforçar o controle da dor no pós-operatório imediato. O paciente é posicionado sentado, em posição de cadeira de praia, ou deitado em decúbito lateral, dependendo da preferência do cirurgião e das características do caso.

O cirurgião realiza de 3 a 5 pequenas incisões (portais) ao redor do ombro, com cerca de 5 a 12 milímetros cada. Por um desses portais, é inserida uma câmera de vídeo (o artroscópio), que projeta imagens ampliadas da articulação em um monitor. Pelos outros portais, entram os instrumentos cirúrgicos usados para:

  • Remover tecido inflamado ou danificado ao redor da lesão
  • Preparar a superfície óssea onde o tendão será reinserido
  • Posicionar as âncoras de sutura no osso
  • Passar os fios de sutura através do tendão e fixá-lo na posição anatômica correta

Ao final, os portais são fechados com pontos simples, resultando em cicatrizes muito pequenas e discretas.

Artroscopia ou cirurgia aberta: qual a diferença

A cirurgia aberta também pode ser realizada de forma minimamente invasiva e continua sendo uma técnica válida e utilizada nos dias de hoje — a artroscopia não é a única forma de operar o manguito rotador com pouco trauma para os tecidos.

A principal vantagem da artroscopia está na visualização: a câmera mostra o interior da articulação por dentro, com a imagem ampliada na tela, como uma lupa. Isso é especialmente útil no tratamento de lesões do tendão subescapular, quando presentes, e facilita a liberação dos tecidos ao redor da lesão durante a cirurgia. Ambas as técnicas produzem bons resultados finais quando bem indicadas e bem executadas.

Quando o reparo artroscópico é indicado

Nem toda lesão do manguito rotador precisa de cirurgia — a maioria dos casos melhora com tratamento conservador (fisioterapia, exercícios de fortalecimento e, quando necessário, infiltração). O reparo artroscópico costuma ser indicado quando:

  • A dor e a limitação funcional persistem após 3 a 6 meses de tratamento conservador adequado
  • Há lesão aguda e completa do tendão, especialmente em pacientes mais jovens e ativos
  • A lesão está aumentando de tamanho em exames de imagem seriados
  • A perda de força compromete atividades do dia a dia ou a prática esportiva

A decisão sempre considera o tamanho da lesão, a qualidade do tendão e do músculo, a idade e o nível de atividade do paciente, além do risco cirúrgico individual — não apenas a presença da lesão na ressonância magnética. Em pacientes com alto risco cirúrgico, a fisioterapia pode ser a opção mais indicada mesmo diante de uma lesão completa.

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Recuperação após a cirurgia

Por causa do período de imobilização, a recuperação não é rápida — mas a maioria dos pacientes já sente melhora significativa dentro dos primeiros meses. De forma geral:

  • Imobilização em tipoia (2 a 6 semanas): a duração exata é decidida no momento da cirurgia, de acordo com a qualidade do tecido reparado, a idade do paciente e a tensão do reparo. Mesmo durante esse período, cotovelo, mão e escápula continuam sendo mobilizados normalmente — só o ombro fica protegido.
  • Após a retirada da tipoia: início de alongamentos para ganho de arco de movimento, sem carga.
  • A partir de 3 meses: início do fortalecimento muscular — não antes disso, para não sobrecarregar o reparo ainda em processo de cicatrização e reduzir o risco de recidiva da lesão.
  • 4 a 6 meses: retorno às atividades físicas habituais, de acordo com a evolução individual na fisioterapia.

Pular etapas da reabilitação para “acelerar” a recuperação é um dos principais fatores de risco para nova ruptura do reparo — a paciência com o protocolo é parte do resultado final.

Resultados esperados

Quando bem indicado e tecnicamente bem executado, o reparo artroscópico do manguito rotador tem taxas de bons resultados funcionais que giram em torno de 90% dos casos, com alívio significativo da dor e recuperação da força e da amplitude de movimento. O fator mais determinante para esse resultado não é apenas a técnica em si, mas a qualidade da indicação: o perfil do paciente, o tamanho da lesão e a saúde do tendão e do músculo no momento da cirurgia.

A artroscopia mudou completamente a forma como tratamos as lesões do manguito rotador. É um procedimento de baixo risco, com recuperação previsível, mas o resultado depende diretamente de uma indicação bem-feita — nem toda lesão precisa de cirurgia, e a decisão deve vir sempre de uma avaliação clínica completa.

Dr. Gláucio Siqueira

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Perguntas frequentes

O reparo do manguito rotador é uma cirurgia grande?+
Não. É considerada uma cirurgia de baixo risco e minimamente invasiva. É feita por vídeo, através de pequenas incisões de poucos milímetros, sem necessidade de abrir a articulação. A maioria dos pacientes recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte à cirurgia.
Quanto tempo dura a cirurgia de reparo artroscópico do manguito rotador?+
O tempo cirúrgico varia conforme o tamanho e a complexidade da lesão, geralmente entre 1 e 2 horas. Lesões maiores ou que envolvem mais de um tendão podem levar mais tempo.
É preciso ficar internado após a cirurgia?+
O procedimento é sempre realizado em ambiente hospitalar — não é feito em regime ambulatorial fora do hospital. Na maioria dos casos, porém, a alta ocorre no mesmo dia ou no dia seguinte à cirurgia, dependendo do caso e do horário da cirurgia.
Quando posso voltar a fazer exercícios após o reparo do manguito rotador?+
O fortalecimento muscular só começa a partir dos 3 meses, para proteger o reparo enquanto o tendão ainda está cicatrizando. O retorno às atividades físicas habituais costuma ocorrer entre 4 e 6 meses após a cirurgia, sempre de acordo com a evolução individual na fisioterapia.
A cirurgia por artroscopia deixa cicatriz?+
As cicatrizes são mínimas — geralmente entre 3 e 5 marcas de poucos milímetros ao redor do ombro, que tendem a ficar praticamente imperceptíveis com o tempo.

Avaliação especializada

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