Cotovelo inchado, com uma "bola" mole na ponta de trás do cotovelo, costuma ser bursite olecraniana: a inflamação da bolsa de líquido que fica entre o osso (o olécrano) e a pele. Pode ser causada por apoio repetido, pancada, doenças inflamatórias ou infecção. E é a infecção, com vermelhidão, calor e dor, que muda a urgência do tratamento.
O que é a bursite olecraniana
A bursa olecraniana é uma pequena bolsa com um pouco de líquido que funciona como amortecedor entre a ponta do cotovelo e a pele. Quando ela se inflama, enche de líquido e forma um volume visível na parte de trás do cotovelo. Popularmente aparece como "bolsa d'água no cotovelo", "caroço no cotovelo" ou "cotovelo de estudante", por ser comum em quem apoia o cotovelo na mesa por muito tempo.
Principais sintomas
- ✓Inchaço na parte de trás do cotovelo, que pode variar de uma "bolinha" a um volume do tamanho de um ovo
- ✓Dor leve ou ausente, quando a causa é mecânica (apoio, pancada)
- ✓Movimento do cotovelo geralmente preservado, com desconforto ao apoiar a região
- ✓Vermelhidão, calor, dor intensa e febre, quando há infecção, situação que exige avaliação rápida
Causas mais comuns
- ✓Pressão repetida: apoiar o cotovelo em superfícies duras com frequência, no trabalho, nos estudos ou ao dirigir
- ✓Trauma: uma pancada ou queda sobre o cotovelo, com sangramento dentro da bolsa
- ✓Infecção: bactérias que entram por uma pequena ferida ou arranhão na pele sobre o cotovelo
- ✓Doenças inflamatórias: gota e artrite reumatoide podem inflamar a bursa mesmo sem trauma
Como diferenciar inchaço simples de infecção
A diferença mais importante é saber se a bursite é "estéril" (sem infecção) ou séptica. Os sinais que levantam suspeita de infecção são:
- ✓Pele vermelha e quente sobre o inchaço
- ✓Dor intensa, principalmente ao dobrar o cotovelo
- ✓Febre ou mal-estar
- ✓Ferida, arranhão ou picada na pele sobre a bursa
Na presença desses sinais, a avaliação médica deve ser feita logo, sem esperar o inchaço baixar sozinho.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com a história e o exame físico. A ultrassonografia ajuda a confirmar que o líquido está na bursa e a avaliar o conteúdo. A radiografia serve para descartar fratura ou um esporão no olécrano. Quando há suspeita de infecção ou de doença inflamatória, pode ser necessário puncionar a bursa para analisar o líquido e fazer exames de sangue.
Tratamento sem infecção
Na maioria dos casos de bursite sem infecção, o tratamento é conservador:
- ✓Evitar o apoio sobre o cotovelo e proteger a região, com cotoveleira ou curativo almofadado
- ✓Gelo local e, quando indicado, anti-inflamatórios
- ✓Compressão leve, a critério médico
- ✓Punção para alívio e análise do líquido, quando o volume é grande ou incomoda; o líquido pode voltar
A infiltração de corticoide na bursa costuma ser evitada por conta do risco de infecção e de afinamento da pele sobre o cotovelo.
Tratamento da bursite com infecção
A bursite séptica precisa de antibiótico, drenagem da bursa e acompanhamento próximo, e em alguns casos de internação. Tratar cedo reduz o risco de a infecção atingir a articulação.
Quando drenar e quando operar
A drenagem (punção) é indicada para aliviar uma bursa muito tensa, para analisar o líquido ou quando há infecção. Ela não impede que o líquido volte. A cirurgia para retirar a bursa (bursectomia) é considerada quando a bursite é crônica, recorrente, volumosa ou não responde ao tratamento conservador, e pode ser feita por técnica aberta ou por vídeo. A recuperação costuma exigir alguns cuidados com a ferida e a proteção do cotovelo por algumas semanas. Quando há mais de uma conduta possível, a escolha é feita junto com o paciente, depois de explicar as vantagens e os limites de cada uma.
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Cotovelo inchado sem dor e sem febre quase sempre dá tempo de investigar com calma. O que não dá para esperar é cotovelo inchado, vermelho e quente: nesse caso o problema deixa de ser a bolsa e passa a ser uma possível infecção.
Dr. Gláucio Siqueira

